As palavras que dão título a essa matéria, embora pareçam, não são sinônimos. Para os mais desavisados e, quem sabe, para as gerações mais jovens, talvez cortejo possa parecer uma parte do processo de namoro, mas, na verdade, o termo trata de um processo específico e pouco usual em nossos dias.

Cortejo ou cortejar é uma prática antiga e de fundamental importância para os relacionamentos que se pretendem duradouros e conscientes. Mas, para entender essa prática que caiu em desuso, e hoje é alvo de resgate, é necessário conhecer o contexto em que era empregada e qual é a proposta atual.

Nas sociedades medievais, e até há poucos séculos, era comum que os reis e nobres casassem entre si para preservar genealogias, tradições, bens e posses adquiridas. Um costume que foi assimilado pelas sociedades, adotado por famílias que se pretendiam comparáveis à nobreza e herdado pelo povo em geral ao longo das gerações. Normalmente, os pais escolhiam quem seria o marido de suas filhas quando acreditavam ser tempo de casá-las. Outras vezes, as mulheres eram prometidas, logo após o nascimento, para honrar diferentes propósitos, inclusive pagamento de dívidas.

Os maus exemplos das realezas, que se esbaldavam em relacionamentos ilegítimos (traições), e o caráter pejorativo da penhora das filhas, por parte dos familiares, acabaram por deturpar essa prática dando lugar a um processo menos autoritário, onde os pais indicavam os maridos, com base em um conhecimento prévio e abrangente da origem social e familiar do pretendido, embora as mulheres continuassem sem o poder de escolha. Assim, seguindo o curso natural das sociedades, os relacionamentos deixaram de ter caráter de imposição. Hoje, busca-se atingir um estado de maturidade mútua entre pretendentes.

Em diferentes momentos, personagens da narrativa bíblica vivenciaram histórias que ilustram bem como era resolvida a questão do casamento no seio do povo de Deus. É bom que fique bem claro que muito antes das convenções sociais se estabelecerem, Deus se preocupou com os relacionamentos; e deixou exemplos como o de Jacó, que durante 14 anos cortejou e trabalhou por Raquel. Ambos sabiam e nutriam o amor, embora as condições e a trapaça de Labão os obrigasse a ficar separados. O que permitiu que esse e tantos outros relacionamentos se tornassem memoráveis e dignos de serem relatados na Bíblia foi exatamente o caráter de pureza existente neles. O caráter humano de Raquel e de Jacó serve de incentivo para se entender os propósitos de Deus.

Hoje, busca-se resgatar os valores e preceitos das chamadas “veredas antigas”, que não são mais do que as orientações dadas por Deus e das quais o homem se desviou ao longo do tempo; ou melhor, caminhos dos quais a Igreja se desviou.

Conhecer e trilhar as veredas antigas significa aceitar a identidade e o destino estabelecidos por Deus para cada um de nós. Quando desconhecemos isso, somos levados para essas tentações dirigidas pelo inimigo, sendo que o propósito de Deus é maior e muito melhor do que qualquer coisa que Satanás possa nos oferecer.

CORTEJO

Em Jr 6:16 está escrito: Ponde-vos à margem do caminho e vede, e perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho; andai por ele e achareis descanso para vossa alma. Com essas palavras, o profeta Jeremias anunciava os caminhos e propósitos que Deus esperava de seu povo. Jr 6:16 é a receita que se aplica a todo tipo de relacionamento, principalmente os familiares. Para ser uma família feliz é preciso compreensão, aceitação e sobretudo conhecimento do querer de Deus para a sua descendência. Assim, nada mais óbvio do que trabalhar a formação do novo lar quando, ainda, em sua fase embrionária, eis o cortejo.

O pai de Isaque sabia que a família de Rebeca vivia dentro dos mesmos princípios que eles, ou seja, nas mesmas veredas de Deus. Hoje, o que se vê são gerações destruídas porque as medidas de proteção dadas por Deus foram quebradas, de geração em geração.

Vale acrescentar que não é fácil começar um trabalho que visa resgatar um princípio de Deus. Mas devemos iniciar essa semeadura, pois sabe-se que uma geração que semeia, começa a se reproduzir. Não podemos ficar de braços cruzados vendo os nossos jovens agindo de acordo com os padrões impostos pela mídia e pelo processo de comunicação atual, e não fazer nada. As sementes de bons caminhos começam a ser lançadas. E, certamente, serão frutíferas porque todos os preceitos de que o homem precisa já foram estabelecidos por Deus e, para mantê-los, Ele levantou Jeremias, Timóteo, Paulo e tantos outros ministros de nossos dias. O fundamento de todas as coisas começa e termina no Seu mover e não poderia ser diferente com os relacionamentos humanos.

Percebe-se com entusiasmo, que já existe uma tendência de não se entrar na “onda” atual: TODOS SÃO DE TODOS E NINGUÉM É DE NINGUÉM. Não! Está havendo uma certa saturação desses padrões de comportamento e isso está levando jovens a uma reflexão maior e a um certo critério com relação à escolha do par. No entanto, a falta de alguém para ajudar, como os pais, é visível.

OS PAIS

Precisamos trabalhar os pais, pois queremos alcançar os jovens através dos pais. Eles passam muita insegurança, por não estarem vivendo dentro dos padrões estabelecidos por Deus. O primeiro modelo deveria ser os pais, dentro de casa. Mas o que se vê são os pais transferindo a responsabilidade de educação e formação para a escola, para a igreja, para a rua. Observe que quando as coisas não dão certo, os pais colocam logo a culpa nas instituições. Se os pais não se colocam no papel de modelo para os filhos, estes, vão buscar outros, em outros lugares. Modelos mostrados pela TV, por exemplo, que trazem um apelo muito forte. Pais assim, transferidores de responsabilidades, mais tarde só poderão fazer uma coisa: chorar pelos filhos e criar os netos.

Os pais deveriam, ao contrário, ensinar seus filhos a guardarem seus corações e a entregarem seus sentimentos a Deus. Assim sendo, só alcançaremos bons resultados. Queremos que as famílias vivam um padrão de excelência, que elas desfrutem de tudo aquilo que Jesus conquistou na cruz do calvário. Muitas vezes queremos fazer o nosso próprio caminho, em vez de andar nos caminhos de Deus. Precisamos nos voltar à Palavra e resgatar esses valores que são eternos.

NAMORO

Os adolescentes, quando começam a despertar para o namoro, agem como as pessoas mais velhas, que visam, quase sempre, tirar proveito do parceiro(a). Não existe namoro na Bíblia. O que existe é compromisso e amizade. O namoro hoje começa com o primeiro olhar. Um se agrada da aparência do outro, do jeito de falar, de vestir, mas não existe amizade, confiança, algo mais sólido. Às vezes, começam a namorar sem se conhecerem. Tanto é que, se aparecer uma moça ou um rapaz mais atraente, tanto a moça quanto o rapaz que estão namorando não medirão esforços para `ficar’ com a outra ou com o outro. É comum o namoro se tornar inimizade porque, muitas vezes, as pessoas se sentem traídas, usadas e abusadas pelo outro.

O namoro é tantas e tantas vezes apenas uma legalidade para que aconteça a defraudação do corpo, já que, para muitos, namorar é tirar proveito, é satisfazer a si próprio, como a relação sexual antes do casamento.

Ouço falar de mães que já compram cama de casal para os filhos solteiros, só para que eles não pratique sexo em suas camas… Lamentável.

Ainda hoje sabe-se que pessoas requerem do parceiro o relacionamento mais íntimo como “prova de amor”. Essa prática está tão cristalizada que muitas vezes, no imaginário das pessoas, já existe essa máxima: “Quem ama, transa.” (peço que ninguém fique chocado com esse termo, mas e a pura verdade).

Acontece que a defraudação pode trazer ao casal uma vida sexual problemática, sentimento de culpa, ciúmes, insegurança. Quando passamos por cima da linha divisória estabelecida por Deus, atraímos consequências sobre nós, não se engane. Os jovens, com o apelo da mídia, muitas vezes querem demonstrar ser uma coisa que não são e acabam perdendo grandes oportunidades de desenvolver amizades com pessoas do sexo oposto. Eles se tornam imaturos e inseguros. Essa insegurança faz com que mintam, enganem a si mesmos, porque a mídia e seus colegas cobram deles determinado comportamento. Um exemplo é quando um menino de 15 anos é criticado pelos colegas por não estar saindo com nenhuma garota. Já começam a colocar em dúvida a masculinidade dele. E o fato de não namorar passa a ser uma vergonha. A maioria dos jovens não consegue trabalhar essa questão e chegar ao casamento sem temores.

Não vejo nenhum problema de moças e rapazes terem amizade. O que é preciso é que em primeiro lugar dêem seus corações a Deus para que Ele escreva a história da vida deles. O cortejo é esse relacionamento de amizade entre duas pessoas onde ambas entregam seus corações a Deus e permitem que o próprio Deus diga se, ou quando aquela amizade deve se encaminhar para um casamento. Fique certo de uma coisa: Quando o casamento começa errado, ocorre o sofrimento em consequência do pecado: famílias desestruturadas, filhos nas drogas, na prostituição, violência, etc. Em um casamento nascido de um relacionamento com cortejo, os jovens enxergam muito além do mundo natural.

DESAFIO

Muitos jovens creem no relacionamento do cortejo. Mas quando eles se deparam com a multidão que está dizendo o contrário, que namoro é sexo, liberdade, ele acaba se diminuindo ou ficando isolado. Creio que, através desta proposta, muitos vão ser despertados por estarmos falando em uma coisa na qual eles acreditam. Esses que estão isolados, totalmente excluídos, irão começar a simpatizar com a idéia e se abrirem mais. É nisso que cremos.

É verdade que muitos jovens que simpatizam com o cortejo se omitem, temendo serem ridicularizados por pensarem diferente. Mas creio que através da propagação dos bons resultados, essas pessoas vão começar a se manifestar. Os jovens que se dispuserem, como alguns que já se decidiram, irão trabalhar conosco na implantação da visão dentro da nossa Igreja. Nada é melhor do que outro jovem para compartilhar suas idéias e testemunhos, sem vergonha e sem medo.

MOMENTO DE DECISÃO

O cortejo, em princípio, não tem a intenção de namoro, noivado, nem de um futuro casamento; é uma simples amizade. Com a convivência, as pessoas ficam se conhecendo melhor. Chega uma hora que Deus vai falar ao casal: Agora é hora de vocês assumirem um compromisso e se manterem íntegros para o casamento. O envolvimento dos pais nesse relacionamento é fundamental. Eles devem estar presentes em todas as decisões, apoiando, encorajando. Isso traz muita segurança ao filhos e a eles próprios, porque ficam tranquilos sabendo que os filhos estão caminhando em um relacionamento puro, voltados para o Senhor.

Pr. Alexandre

Cortejo ou Namoro?

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