Eu de boa vontade me gastarei e ainda me deixarei gastar em prol da vossa alma. se mais vos amo, serei menos amado? II Co 12:15.

“Gastar-se, deixar-se gastar em prol das almas. Amar e ser menos amado” provoca cansaço e nos faz refletir sobre o alto preço do ministério pastoral. A expressão gastarei e ainda me deixarei gastar é muitíssimo peculiar a todos os pastores. E, cansaços podem ser: físicos, emocionais e espirituais. E só se cansa quem está em atividade, quem produz alguma coisa.

Pr. Adelmo Strueker da Comunidade Luterana em Santa Catarina diz num vídeo que as 4 atividades mais difíceis do mundo são: 1º) Ser presidente dos EUA; 2º) Ser presidente de uma Universidade; 3º) Ser administrador de um Hospital e 4º) Ser pastor… Alguns pastores desgastam suas vidas tentando ajudar pessoas. É nossa vocação; nosso trabalho… Alguns pastores descuidados, até deixam a família de lado.

O instituto Fuller (dos Estados Unidos), numa pesquisa datada de 18/05/2012, às 16:40, mostra o seguinte sobre nós, pastores:

90% dos pastores dizem que o ministério é diferente do que eles pensavam que seria.

80% dos pastores estão cansados de lidar com pessoas problemáticas. Pessoas descontentes, tais como presbíteros, diáconos, líderes, equipes de louvor, coral, outros líderes e também descontentes com colegas de ministério.

70% dos pastores sofrem de baixa autoestima.

70% dos pastores disseram não ter alguém que considerem amigo próximo.

40% relatam ter conflitos com membros da igreja.

40% dos pastores pesquisados, pensaram várias vezes, em deixar o ministério, mas não tem outra profissão.

– Alguns pastores dão graças a Deus por ter amigos fora da igreja, que nem membros não são.

50% dos pastores sentem-se tão desanimados, que deixariam o ministério, se eles pudessem. E, finalmente, 45% dos pastores pesquisados disseram estar deprimidos ou tiveram um Burnout (um distúrbio psíquico de caráter depressivo, precedido de esgotamento físico e mental intenso); e, se pudessem tirariam uma licença médica por um bom tempo. Segundo um relatório do instituto Barna (da Igreja Adventista), a profissão de pastor é uma das atividades menos respeitadas… Só é mais respeitada que “vendedor de carros usados”. É a pesquisa que mostra isso.

A situação em nosso país, eu creio, não é muito diferente dos Estados Unidos. O problema de relacionamento é o maior motivo para o despojamento de pastores.

Por isso, irmãos, há pastores cometendo suicídio; é verdade. E por que isso acontece? Pastores se matam por que não conseguem dizer NÃO.

Estão ali para servir. São pagos para atender a todos, o tempo todo. Pastores se matam por que querem concorrer com o consumo religioso. Pastores se suicidam porque não podem trocar de carro, sem ouvir umas piadinhas egoístas. Se comprar uma casa, em geral, financiada em 25 anos, estão enriquecendo às custas das pobres ovelhas. Pastores tem que ouvir isso.

Pastores se matam por não cuidam de si e nem descansam.

Alguns pastores querem ser maiores que Jesus, contrariando o próprio Mestre, o Supremo Pastor das Ovelhas.

Jesus, dormiu. Veraneou em Betânia, na casa de Marta, Maria e Lázaro. Jesus afastou-se de tudo e de todos para orar sozinho (Ele precisou disso)… Há colegas de ministério que não dormem, nem à noite, por isso, a profissão (vocação) é tão desgastante.

Pastores ficam com raiva; sentem tristeza; ficam decepcionados; esgotados; entram em crise vocacional, ficam frustrados, sofrem pobreza, abandono, esgotamento de tanto trabalhar, de falta de férias decentes, de tantas cobranças, às vezes injustas. De tanto se cobrar, por não SABER tudo. Nem de ser BOM em tudo.

Pastores se matam, porque ADOECEM, como qualquer outro ser humano; que, se não se tratar entram em colapso. Aliás, o estresse jaz à porta do pastor.

Pastores se matam porque passam a ler a Bíblia, só para fazer sermões; porque não ouvem hinos (ah! Não ouvem, não lhes resta tempo), não passeiam com o cônjuge, não tem uma vida conjugal e íntima bem suprida com a mulher da sua mocidade.

Pv 5:18 seja bendito o teu manancial, e alegra-te com a mulher da tua mocidade.

Eu, pela graça e misericórdia sou pastor: eu não pretendo me matar. Eu não vou morrer pelos pecados dos outros; nem pelos meus pecados, Jesus já fez isso. Aliás, o pastor mesmo, é Ele; e sem Ele ninguém pode fazer nada, João 15:5.

Não há por que negar…

Primeiro: Estamos atravessando um momento em que cada vez mais pastores estão caindo moralmente… Outros tantos estão desmotivados, trocando de igreja (seduzidos pelos altos salários); e ainda centenas de outros pastores estão perdidos e confusos sobre si mesmos; deprimidos.

Segundo: Há pastores não convertidos, não vocacionados, mal resolvidos no contexto familiar, doentes emocionalmente, além de preguiçosos, invejosos, avarentos, apáticos e pior, alguns vivendo em pecado. Muitos pastores conhecem a respeito de Deus, mas não conhecem a Deus, diz o Rev. Hernandes Dias Lopes no Livro “Piedade e Paixão”, pg.44.

Agora, observemos o foco de Paulo no v.15; as almas que Deus lhe confiou.

Paulo tá gasto, bem gasto mesmo, desde que foi chamado por Deus em At 9. Ele traz no corpo as marcas de Cristo (Gl 6:17): e, por isso, enfrentou adversidades extremas, acusações, julgamentos, condenações. Por cinco vezes sofreu uma quarentena de açoites, menos um. Três vezes foi fustigado com vara. Três vezes o barco em que ele estava afundou, II Co 11:23-26. Paulo sofreu frio na prisão, II Tm 4:13,21.

A fim de exercer seu ministério, ele sofreu perseguição, foi abandonado, traído por Himineu, Demas, Alexandre, o latoreiro (II Tm 4:10-18), enfrentou dura oposição; no entanto, não se matou.

Paulo tinha consciência de que amando mais, seria menos amado, mas ele, Paulo estava decidido a não ter sua vida por preciosa (At 20:24), a combater o bom combate, acabar a carreira e guardar a fé (II Tm 4:7).

Que Deus ajude os pastores deste século de incredulidade a serem cheios do Espírito Santo, e ter coração, mente e mãos puras… Pregação genuína, oração piedosa, temente, zelosa – não profissional; mas devota no Altar do Senhor.

Hernandes Dias Lopes diz que: Um pregador impuro no púlpito é como um médico que começa uma cirurgia sem fazer assepsia das suas mãos. Ele causará mais mal do que bem; no Livro “Piedade e Paixão”, pg.12.

E Paulo conclui, passei por tudo isso: há o que pesa sobre mim diariamente, a preocupação com todas as igrejas, II Co 11:28.

Que o Senhor da Seara, ajude os vocacionados nesta árdua missão, em Nome de Jesus. Amém.

Pr. Alexandre

Pastores Cansados

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