Aquele que não está comigo é contra mim, e aquele que comigo não ajunta, espalha” (Lucas 11:23)

JESUS NUNCA ADMITIU POSIÇÕES NEUTRAS.

No começo, os discípulos estavam todos juntos e, aparentemente, de acordo com Jesus. Digo aparentemente por causa do incrédulo (Tomé), do traidor (Judas), e do covarde (Pedro), que eram o que eram em sua essência, e Jesus sabia de tudo isso; no entanto, dentre eles, os críticos de plantão, só vieram a revelar suas críticas, depois, como os fariseus e escribas, por exemplo.

Ao ser acusado pelos de fariseus de estar expulsando demônios pelo poder de Belzebu, por exemplo, Jesus deixa fruir de Sua sabedoria um grande ensinamento, em Lc 11:17, afirmando que se um reino ou instituição qualquer, estivesse dividida contra si mesma, não subsistiria.

Afirmou, portanto, que não seria coerente que satanás estivesse expulsando seus próprios comandados, a menos que ele quisesse destruir o seu próprio reino de trevas.

Dizendo isso, Jesus estava denunciando que até mesmo satanás conseguia unidade entre os demônios para conseguir atingir os seus propósitos: roubar, matar e destruir.

Diante da guerra espiritual, qualquer grupo ou ministério que se propuser a combater pelo reino de Deus, precisa entender que a pretensa neutralidade, coloca a pessoa direto no exército do inimigo.

“Quem comigo não ajunta, espalha”. Penso que a maior dificuldade de um ministério que tem mais do que doze discípulos, é encontrar ajuntadores¸ ao invés de espalhadores.

Digo isto, por que às vezes parece que o ministério que mais cresce nas igrejas é exatamente o ministério dos espalhadores. Espalhar tem sido o pior hábito a ser vencido por um povo que quer crescer.

Geralmente uns ajuntam, mas pouco tempo depois, espalhadores sorrateiros encontram espaço para desfazer com tudo aquilo que foi feito arduamente. Essa dicotomia do processo ajunta–espalha tem gerado muito sofrimento na alma dos discipuladores.

É preciso acabar com o ministério dos espalhadores, pois estes nos cansam muito, e não geram nenhuma baixa no terreno do inimigo.

Vamos entender com mais precisão O MINISTÉRIO DOS ESPALHADORES:

Espalhamos quando não aceitamos mais continuar no mesmo propósito, e queremos criar uma outra coisa que os discipuladores não nos ensinaram. Enquanto ajuntar é continuar, permanecer naquilo que aprendemos. Espalhar é desejar energicamente mudar o que encontrou.

É preciso aqui esclarecer o que permite tal confusão. Muitas pessoas ingressam num determinado ministério porque veem nele uma identificação consigo, a princípio, mas depois se percebem sem alinhamento ministerial com os seus discipuladores.

É preciso ter humildade para perceber o porquê de tal desalinhamento. É possível que tal pessoa tenha um chamado próprio, para um novo começo ministerial em outro lugar. Agora, permanecer desalinhado não o fará dar mais fruto. É preciso apenas coragem para encarar o que se sente. 

E muitos não têm essa coragem. O erro está em querer permanecer num determinado ministério não para continuá-lo, mas para mudá-lo. Estes não percebem que DEUS NUNCA ENVIOU NINGUÉM PARA MUDAR MINISTÉRIO DE NINGUÉM. ELE PREFERIU CRIAR NOVOS MINISTÉRIOS COM NOVOS LÍDERES E NOVA MISSÃO.

Assim, nada que for mudado num ministério será mudado por outro ministro que não seja aquele que lidera o ministério. Deus não muda ministérios. Deus levanta novos ministros conforme lhe apraz.

Deus não mudou o reinado de Saul, o encerrou, para depois levantar um novo ministério através de Davi.

Deus não mudou o ministério circunciso Pedro, embora o tempo dos gentios já houvesse chegado. Deus levantou Paulo com esse fim, tratava-se de um novo ministério – Paulo o apóstolo dos gentios.

O orgulho e a vaidade fazem que discípulos bem-intencionados se tornem espalhadores. No entanto, como não há neutralidade na vida de um ministério, todo ministro precisa decidir se está num ministério para continuá-lo ou para mudá-lo. Continuar e mudar são, nestes casos, ajuntar ou espalhar, não há meio termo.

Um irmão espalha quando encontra um descontente e não o leva em direção ao ofensor para pacificar toda a contenda. Quando fico sabendo de um descontentamento de alguma ovelha com qualquer coisa, eu procuro tal pessoa.

Quando se trata de um descontentamento com o seu pastor, procuro pedir desculpas e procurar com o irmão uma maneira melhor de continuar. Quando se trata de ofensas entre irmãos, procuro ensinar sobre o perdão, sobre Mateus 18, sobre o amor, sobre tudo o que é santo e puro.

Mas é muito difícil perceber que se levam meses para consertar uma situação como essas, e depois ver um espalhador colocar todo esse trabalho em vão com uma só palavra. Já vi pessoas alimentarem contendas. Quem não ajuntar, estará espalhando.

Espalhamos quando procuramos questões não para eliminá-las, mas sim para tomarmos partido. Comportamo-nos como se a palavra não tivesse dito que não poderíamos fazer nada por partidarismo. “Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo.” (Fp 2:3).

Partidários pensam que ajuntam, mas eles só ajuntam os seus iguais. Partidários pensam que lutam pelo ajuntamento, mas é só pelo ajuntamento daqueles que pensam iguais a eles mesmos, e ainda chamam isso de unidade. Os partidários têm um senso de justiça muito apurado, e lutam pela justiça dos outros, desde que essa luta não envolva chamar o inimigo e dar-lhe a outra face e abençoá-lo. Entende?

Partidários amam a unidade, desde que seja a unidade dos iguais. Mas unidade dos iguais não é unidade, é uniformidade, é empacotamento e não corpo de Cristo. Corpo de Cristo se caracteriza pela junção de membros que são diferentes entre si, mas que compreendem a necessidade de suas diferenças trabalhando juntas para o bom funcionamento do corpo. Os partidários só espalham.

Todo irmão ou irmã que se aproveitar de uma contenda entre irmãos para tomar partido, será sempre um ministro do espalhamento. Não há ministério que se sustente com gente assim.

Esse pessoal sempre se esconde em seu senso de justiça apurado, na exterioridade de uma falsa espiritualidade, enganando os incautos que não percebem que os ajuntadores aceitam sofrer a injustiça, e não correr atrás da justiça nesta terra.

Os ajuntadores aceitam perdoar sem que seja preciso uma conversa para esclarecer tudo, isto porque reconhecem que há coisas que jamais poderão ser plenamente esclarecidas porque a mentira é uma atitude possível na relação entre as pessoas. O ajuntador aconselha o perdão como primeira medida. O espalhador tem o perdão como última medida.

O espalhador gosta é do circo. Carnal como é, o gostoso é ver o circo pegar fogo. E se o ministério se esvaziar, será a prova de que ele estava certo. Movido pela loucura do diabo, cego, não vê que quando um ministério diminui ou acaba, ficamos todos errados e damos a razão para o diabo. Jamais haverá pessoas com razão diante do Senhor quando tudo estiver errado. Não há pessoas certas quando tudo está errado.

O ajuntador, ao contrário, nunca quer ter razão. Ele prefere estar errado e se arrepender para que fique tudo certo O ajuntador prefere pedir desculpas sem estar errado se isto significar ganhar alguém. Isto porque a arte de conquistar sempre exige humildade.

E quem consegue conquistar sem sofrer injustiças? Quem consegue ajuntar sem receber pedradas? Quem consegue ajuntar sem choro? Aliás, somente os ajuntadores choram. Os espalhadores não sabem o que é chorar. Quem sabe o trabalho que é exigido para arrumar, dificilmente desarruma. Quem conhece as lágrimas necessárias para um ajuntamento, não conseguirá ser um espalhador.

Que o Senhor envie trabalhadores para a sua ceara, pois esta, ainda está branca para a colheita, e será preciso muita gente para ajuntar o que muita gente mesmo, tem espalhado.

(Transcrito)